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Líder do PT aciona PRF contra Nikolas Ferreira

Em mais um episódio das tensões políticas que marcam o cenário brasileiro atual, deputados do Partido dos Trabalhadores acionaram a Polícia Rodoviária Federal (PRF) com o objetivo de barrar a “Caminhada pela Liberdade”, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A mobilização teve início em Paracatu, em Minas Gerais, segue pela BR-040 em direção a Brasília e ganhou repercussão nacional tanto pelo simbolismo quanto pelas controvérias em torno de sua realização.

A caminhada, iniciada em 19 de janeiro de 2026, reúne apoiadores e parlamentares da oposição que defendem os presos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. De acordo com os organizadores, o percurso de aproximadamente 240 quilômetros representa uma manifestação pacífica em defesa da liberdade e contra o que consideram violações de direitos humanos. Com paradas programadas e adesão crescente ao longo do trajeto, o ato passou a ser visto como uma demonstração de força da direita bolsonarista no Congresso Nacional.

Os deputados Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, e Rogério Correia protocolaram, no dia 22 de janeiro de 2026, um pedido formal junto à PRF solicitando a suspensão ou restrição imediata da mobilização. No documento, os parlamentares alegam que a caminhada estaria ocorrendo sem a devida comunicação prévia às autoridades responsáveis, o que violaria normas de segurança em uma rodovia federal de tráfego intenso.

Entre as principais preocupações apontadas pelos petistas estão a ocupação irregular do acostamento, a possível invasão da pista de rolamento por pedestres e indícios de pousos não autorizados de helicópteros às margens da rodovia. Segundo eles, essas práticas colocam em risco tanto os participantes quanto os motoristas que circulam pela BR-040, sendo classificadas como condutas graves e irresponsáveis.

A assessoria de Nikolas Ferreira negou as acusações e afirmou que ofícios informando sobre o evento foram enviados previamente à PRF e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os organizadores classificaram a iniciativa do PT como uma tentativa de censura e perseguição política, sustentando que a caminhada é constitucional e ocorre de forma pacífica. A PRF, por sua vez, confirmou que não recebeu notificação oficial inicial, mas informou que acompanha o deslocamento para prevenir acidentes e garantir a fluidez do tráfego.

O episódio evidencia as profundas divisões ideológicas que seguem presentes no país. Enquanto setores da oposição utilizam manifestações públicas para pressionar o governo e mobilizar sua base, parlamentares governistas recorrem a mecanismos institucionais para questionar a legalidade e a segurança desses atos. Até o momento, a caminhada segue sem interrupções, mas a decisão da PRF poderá estabelecer precedentes importantes sobre o equilíbrio entre o direito de manifestação e a preservação da ordem pública.

O caso reforça o ambiente de polarização que caracteriza o debate político brasileiro. Independentemente do desfecho, a “Caminhada pela Liberdade” já se consolidou como mais um símbolo das disputas que moldam o futuro próximo do país, colocando à prova os limites da democracia em um contexto de desconfiança entre os principais atores políticos.