Assinamos o divórcio há um ano e três meses.
Cada um seguiu seu próprio caminho: ela com seus projetos e sonhos bem alinhados, eu tropeçando nas minhas incertezas e tentando me reencontrar. Houve discussões que abriram feridas profundas, palavras que nunca deveriam ter sido ditas e silêncios que cresceram tanto que acabaram nos afastando para sempre… ou pelo menos foi o que eu pensei.

Às vezes, peço que vá descansar em casa. Ela revira os olhos, finge impaciência, diz “tá bom, já vou”.
Mas, quando abro os olhos novamente, lá está ela: olhar cansado, cabelos presos de qualquer jeito, e a mão estendida, repousando perto da minha, como se dissesse que não vai a lugar nenhum.
E então eu entendi.
Enquanto eu me cercava de “amigos” que desapareceram no primeiro sinal de problema, e vivia amores que falavam de futuro sem saber o que é permanecer, foi a minha ex-mulher quem cumpriu a promessa que fizemos um dia.
A vida, às vezes, te sacode com brutalidade para te mostrar o que realmente importa.
E ali, naquela madrugada silenciosa, com o monitor cardíaco apitando ao fundo, eu finalmente aprendi o que nunca tinha aprendido na vida:
O amor verdadeiro não acaba.
Ele apenas espera — e se prova quando ninguém mais fica.
Ela percebeu meu olhar, sorriu de leve e disse:
— Para de pensar besteira e dorme. Tô aqui.
E pela primeira vez em muito tempo, eu dormi em paz… não porque estava curado, mas porque, enfim, entendi que algumas pessoas não precisam estar casadas com você para continuarem sendo lar.





