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Polícia conclui inquérito sobre morte do cão Orelha; tecnologia desmente versão do adolescente

Câmeras, geolocalização e mensagens apagadas desmontaram a versão do adolescente suspeito.

A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina sobre a trágica morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, foi finalizada expondo uma série de contradições desmentidas por recursos tecnológicos. O caso, que gerou grande comoção em Florianópolis, teve seu desfecho baseado em evidências detalhadas, como o rastreamento digital de um adolescente e a identificação de vestimentas específicas, incluindo um moletom e um boné rosa.

O crime aconteceu na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30. Em sua defesa, o jovem alegou que teria permanecido o tempo todo na área de lazer do condomínio, mas as gravações das câmeras de segurança desmentiram essa versão. Os registros mostram o suspeito saindo do edifício às 5h25 e retornando apenas às 5h58 junto a uma amiga, período exato em que o ataque ao animal foi desferido.

A apuração policial tomou um rumo mais tenso quando o adolescente embarcou para os Estados Unidos logo após o episódio. No entanto, ao desembarcar de volta ao Brasil no dia 29 de janeiro, ele foi prontamente interceptado pelas autoridades no aeroporto.

O que entregou o jovem?

Para complicar a situação, um familiar buscou esconder o moletom e o boné rosa utilizados no crime, sustentando a versão de que os itens teriam sido adquiridos durante a viagem à Disney. Contudo, essa tentativa de ocultação fracassou quando o próprio adolescente confessou que já era dono das peças antes de embarcar.

A precisão técnica foi o diferencial desta investigação, que empregou softwares avançados de inteligência franceses e israelenses. Essas ferramentas permitiram a recuperação de mensagens deletadas e a confirmação exata da geolocalização do celular do autor no momento do ataque. Além do jovem, três adultos acabaram indiciados por coação no curso do processo, após tentarem intervir na circulação de fotos entre os porteiros da vizinhança.

Internação solicitada

Com o encerramento do inquérito, o adolescente responderá por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. Devido à brutalidade do ocorrido, a Polícia Civil solicitou a internação do menor, medida que se assemelha à prisão preventiva de um adulto. As autoridades reforçaram que a análise final dos dados extraídos dos aparelhos apreendidos servirá para consolidar as provas já existentes e identificar qualquer outro detalhe relevante que ainda possa surgir.