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Avó diz o que pensa 52 dias após o sumiço das crianças na região de Bacabal

A avó realizou uma manifestação dias após ter ocorrido o sumiço das crianças na região de Bacabal. Mais detalhes foram expostos.

A pequena comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), vive um dos capítulos mais dolorosos de sua história. Já se passaram 52 dias desde que Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos) desapareceram.

As crianças saíram para colher maracujá. O caso, que desafia as autoridades e mobiliza centenas de agentes, agora se encontra em um impasse entre a esperança da família e a linha técnica da polícia.

A avó das crianças, Francisca Cardoso, manifestou publicamente sua descrença na hipótese de que os netos ainda estejam na mata ou tenham sofrido um acidente fatal ali. Suas falas são reforçadas pela exaustão das buscas.

“Eu creio que no mato eles não estão mais. Alguém levou eles daqui”, declarou ela, ao falar sobre o assunto e expressar sua opinião sobre o que teria acontecido.

Mais de 260 agentes percorreram 200 quilômetros de mata com o apoio de drones, helicópteros e cães farejadores. Para Francisca, o fato de as equipes não terem encontrado sequer um pedaço de roupa ou sinal físico das crianças.

Isto reforça a suspeita de que elas foram levadas por alguém. A falta de provas de um óbito na mata alimenta o coração da família com a crença de que Ágatha e Allan possam estar vivos em algum outro lugar.

Apesar do apelo da família, a Polícia Civil do Maranhão (PCMA) mantém uma linha de investigação mais pragmática, porém devastadora. Segundo as autoridades:

A hipótese mais forte é que as crianças tenham se perdido na vegetação densa e, eventualmente, caído nas águas do Rio Mearim. A região possui áreas alagadas e lagos que dificultam a localização de corpos ou vestígios em casos de afogamento.

Embora a tese do rio seja a mais provável para os peritos, o delegado responsável afirma que o inquérito segue aberto e que novas informações são checadas diariamente.

O desaparecimento forçou uma mudança drástica na rotina do quilombo. Dona Francisca relata sintomas físicos de um luto em suspenso, como hipertensão e dificuldade para se alimentar

O “desespero de não saber” é o que mais consome os familiares, especialmente considerando que o primo das crianças, de 8 anos, foi encontrado com vida logo nos primeiros dias, o que inicialmente gerou uma expectativa de resolução rápida que não se concretizou.

O caso permanece como uma ferida aberta na Zona da Mata maranhense, ilustrando a complexidade de operações de resgate em áreas rurais isoladas e o peso do tempo sobre as evidências.